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ONG desenvolve iniciativas a favor dos manguezais
novembro 26, 2008, 12:25 am
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Centro Escola Mangue oferece cursos gratuitos de Turismo Ecológico e Alfabetização Ambiental para crianças. Mulheres dos pescadores também são beneficiadas com capacitação sobre recursos naturais

Mudas de mangue

Mudas de mangue

Por Pedro Braz Neto

Berço natural de inúmeras espécies de peixes, moluscos e crustáceos e fonte histórica de sobrevivência da população ribeirinha, o mangue está ameaçado. A poluição, a exploração desordenada e os aterramentos ilegais estão levando esse ecossistema a desaparecer em várias partes do Nordeste. Na comunidade de Brasília Teimosa, Zona Sul do Recife, não é diferente. No entanto, a Organização Não-Governamental (ONG) Centro Escola Mangue, desenvolve iniciativas de proteção da biodiversidade do manguezal.

Fundado em junho de 2003, o centro possui dois projetos voltados para a preservação dos mangues: os cursos de Turismo Ecológico e Alfabetização Ambiental. No primeiro, destacam-se as trilhas ecológicas e a capacitação dos jovens da comunidade para trabalharem no desenvolvimento do turismo em Brasília Teimosa. O segundo desenvolve atividades regulares, em convênio com a Prefeitura do Recife, para alfabetização de crianças do bairro. Ao todo, são atendidos cerca de 70 garotos e garotas, sendo 40 alunos da educação infantil, com idades entre 3 e 6 anos. Outras 30, dos 6 aos 12 anos, participam das aulas como complemento da escola formal.

Nesses cursos, os conhecimentos relacionados ao meio ambiente são trabalhados fora do contexto escolar tradicional. Ou seja, os alunos fazem uso das áreas naturais ao redor da comunidade como forma de aprendizado. “Não se pode trabalhar o meio ambiente sob a ótica popular sem estar in loco. Tem que estar no local para que o exercício seja feito de forma correta”, explica a coordenadora do Centro Escola Mangue, Luciana Silva.

Além do trabalho com o meio ambiente, as mulheres dos pescadores da comunidade também estão no foco da ONG, através do Projeto Mulheres do Mangue, cuja proposta é prepará-las para que elas possam retirar o sustento dos recursos naturais. “Estamos trabalhando com o curtimento do couro de peixe, para a produção de peças de vestuário, principalmente o de praia. Esse trabalho será mostrado na próxima Feneart”, adianta Luciana.

Para dar forma a essas idéias, no entanto, as dificuldades foram muitas, segundo a coordenadora. “No início, os moradores da comunidade não entenderam a nossa finalidade ao implantar a ONG, talvez por acreditarem que não ia dar certo. Hoje, temos o apoio da colônia de pescadores e escolas da vizinhança”, conta. O Centro Escola Mangue busca não apenas preservar o manguezal, como também conscientizar a população de que tudo à sua volta precisa ser cuidado. Ou seja, pode-se retirar o sustento do meio ambiente e aprender sobre ele sem prejudicá-lo.

PARCERIAS – A colaboração da Associação Viva Natureza (Avina), que trabalha com recursos costeiros, hídricos e marinhos, foi fundamental para dar maior credibilidade à iniciativa. O projeto da escola também conta com o apoio da Petrobras e do Centro Golfinho Rotador, que se responsabilizam pelo curso de inglês oferecido aos jovens. “A sobrevivência do Centro Escola Mangue se deve aos pequenos projetos aprovados por entidades parceiras, que garantem a manutenção das bolsas de apoio à nossa equipe de voluntários”, diz a coordenadora.

O projeto Danças Praieiras, que faz parte do curso de Alfabetização Ambiental, realiza um levantamento da cultura local através das danças populares, como quadrilha, coco, xaxado, frevo e maracatu. Outra iniciativa, chamada Produção e Plantio Muda-Mangue, recupera o ecossistema através do replantio de mudas, numa parceria entre o Centro Escola Mangue, o Departamento de Remo do Sport Clube do Recife e o Comitê da Bacia Hidrográfica do Capibaribe. “De novembro de 2007 a janeiro de 2008, as instituições doaram mil mudas a estudantes das comunidades ribeirinhas de Brasília Teimosa. O Departamento de Remo, com quem vamos retomar a parceria, responsabilizou-se em ensinar os alunos a utilizarem os remos e barcos”, declara Luciana.